SINDSEP-MG repudia curso sobre tratamento precoce de Covid19 ministrado pela Ebserhpara infectologistas

É com surpresa e indignação que a Diretoria Colegiada do SINDSEP-MG se soma ao quadro clínico de médicos infectologistas do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro ao tomar conhecimento de uma “Webaula”, coordenada pelo HC-UFTM – gerenciado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – no último dia 18 de março de 2021.

O curso virtual direcionado a médicos infectologistas sobre “Atualizações na Assistência ao Paciente com COVID-19” foi ministrado por profissionais notadamente conhecidas por defenderem medicações cujos trabalhos científicos já demonstraram sua ineficácia na profilaxia ou na “fase precoce” da Covid19.

É comum durante as pandemias que assolam o mundo que médicos recorram aos mais diversos “tratamentos” para lidar com essas doenças. O mesmo cenário volta a se repetir agora, durante a pandemia de Covid19. Em meio a um número crescente de casos e mortes, parte dos médicos, da população e até o Ministério da Saúde vem defendendo um “suposto tratamento precoce” contra o coronavírus cuja eficácia não foi comprovada até o momento.

Atualmente, esse “mix farmacológico” não é reconhecido e chega a ser contraindicado por entidades/sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e a da Europa (ESCMID), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA).

É inadmissível que uma Instituição renomada como a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), responsável pela formação de profissionais em diversas áreas da saúde se preste a um papel de desinformação ao ministrar para seu corpo clínico um curso que acaba por promover descrédito nas verdadeiras medidas efetivas no controle da pandemia.

Em um momento em que a pandemia está descontrolada e o número de vítimas ultrapassa a marca de 280 mil é preciso desmistificar a “enganação” desse tratamento precoce, uma vez que os estudos existentes até o momento não mostraram nenhum tipo de benefício. Ao contrário, alguns destes medicamentos podem ser até mais prejudiciais do que benéficos quando administrados nos quadros leves, moderados e graves de Covid19.

O chamado “Kit Covid” composto por medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, nitazoxanida, entre outros, receitado por muitos médicos, em todo o país, dá uma falsa sensação de segurança àqueles que o utilizam. Com isso, as pessoas podem sentir que estão protegidas por conta dessas medicações e assim relaxar nas medidas que realmente funcionam, como uso de máscara, distanciamento físico e lavagem de mãos.

A despeito de todas as evidências científicas e do posicionamento de entidades nacionais e internacionais, ao invés de insistir nesse tratamento, o governo federal, via Ministério da Saúde e, agora, a Empresa Brasileira de serviços Hospitalares (Ebserh) deveriam investir no aumento do número de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), na compra de oxigênio e demais medicamentos utilizados no combate à doença dentro do ambiente hospitalar e, sobretudo, na vacinação em massa da população brasileira.

 

Diretoria Colegiada

SINDSEP-MG

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