De gripezinha a jacaré: o que Bolsonaro quer com manutenção da pandemia

Desde o primeiro anúncio da possível chegada da vacina contra a Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro vem requentando seu repertório de bizarrices. Boicote financeiro ao desenvolvimento do imunizante, estímulo recorrente para que a população não se vacine e questionamentos cientificamente infundados sobre sua eficácia vêm sendo realizados sem constrangimento pelo ex-militar que chegou a falar que quem fosse vacinado poderia virar jacaré. O interesse em manter a pandemia firme e o medo da morte vigente pode estar além do convicto perfil negacionista e obscurantista de Bolsonaro, que claramente não abriria mão de se aproveitar de um evento capaz de impedir a população de denunciar seu governo.

Bolsonaro além ser negacionista, contra ciência e a saúde pública, não quer o povo brasileiro vacinado porque não quer o povo nas ruas manifestando contra o seu governo, a favor do impeachment.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro conduz a maior tragédia humana que o país já registrou de maneira genocida. Menospreza as recomendações feitas pelas autoridades sanitárias no combate e prevenção, menospreza os trabalhadores da saúde, menospreza a vida das pessoas. E quer retirar em 2021 R$ 35 bilhões do orçamento para a saúde do país em meio à pandemia. O Brasil é um dos epicentros da transmissão e do número de mortes e o governo federal não garantiu a quantidade de testagem necessária, a melhor orientação para prevenção, não levou mais médicos para onde precisava. Fez ao contrário de tudo isso e estabeleceu uma guerra entre governadores e prefeitos, justamente quando o país precisava estar unido.

O que torna o cenário ainda mais grave é a constatação de que o comportamento de um presidente pode influenciar muita gente, mesmo que esse presidente seja Jair Bolsonaro. Não por acaso, no país em que o número de mortes pela Covid-19 ultrapassa 215 mil, 22% da população declara não querer tomar a vacina contra o vírus, ainda que essa seja a única forma de conter a pandemia que persiste há quase um ano, sem dar trégua.

Paralelo a isso, a docente lembra que está em curso uma campanha de desinformação, mais conhecida como fake news, sobre a CoronaVac e a própria pandemia. Não é possível dizer que essas campanhas derivam diretamente do governo Bolsonaro, mas o governo, sem dúvidas, ajuda a promover esse tipo de discurso com as suas falas e posicionamentos dos seus ministros.

Embora o plano de Bolsonaro tenha mostrado se pautar basicamente no boicote ao controle da pandemia da Covid-19 no Brasil, o analista político Antônio Augusto de Queiroz, do DIAP, acredita que, com a aprovação da CoronaVac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o início da vacinação emergencial no estado de São Paulo e outros estados, o governo federal vai “jogar esforço para recuperar o terreno perdido e tentar se associar à vacina, pois ela é uma demanda nacional”.

A sobrevivência política de Bolsonaro está em jogo; e ele muda de opinião de uma hora para outra. É um oportunista. É um cara que só pensa na eleição. O governo que antes fez todos os esforços para atrasar a vacinação contra a Covid-19 no Brasil, agora vai querer ampliar apoio social com a vacina produzida pelo Instituto Butantan, vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS), em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

Independente do que pretende Bolsonaro, que voltou a defender o ineficaz “tratamento precoce” da Covid-19 com medicamentos como invermectina e cloroquina, só a luta organizada será capaz de colocar fim à pandemia e ao responsável pelo seu agravamento: o governo Bolsonaro. “Se aproveitar da pandemia e viabilizar seu agravamento é, indiscutivelmente, um projeto do governo federal. Com a pior doença do século, o governo justificou desemprego, economia fragilizada, retirada de recursos de áreas sociais e projetos antipovo, como o congelamento salarial de servidores públicos. Precisamos nos unir e exigir a vacinação contra a Covid-19 para todas e todos, mas também exigir o fim desse vírus letal que é o bolsonarismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × 3 =