13 de maio: dia de protestar, não de comemorar

Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, herdeira do trono no Brasil, assinou a Lei Áurea, que oficialmente extinguiu a escravidão no país. A princesa e seu feito são reverenciados nos livros escolares de história e a data, Dia da Abolição da Escravatura, foi instituída no calendário oficial como algo a ser comemorado. Mas a grande verdade é que não há o que festejar.

Os livros de história colocam a princesa Isabel com heroína, e os negros como finalmente livres. Mas a abolição só existiu no papel. A Lei Áurea não foi acompanhada de políticas sociais necessárias para integrar os ex-escravos à sociedade, como reivindicavam à época os abolicionistas. Dessa forma, eles foram relegados à margem e até os dias de hoje a população negra permanece excluída.

Depois de muita luta das negras e negros no Brasil Colônia, como a do Quilombo dos Palmares e a Revolta dos Malês, por exemplo, a lei Áurea veio, mas veio sem nenhuma reparação moral ou econômica. Não garantiu inclusão social.

Muitos permaneceram na própria fazenda onde trabalhavam como escravos por não ter para onde ir, outros largados à própria sorte passaram a ser marginalizados e discriminados, dando início às mazelas que combatemos até hoje: discriminação, pobreza, falta de oportunidades e de trabalho decente para a população negra.

 

Desmonte de direitos

O desmonte de direitos que está sendo promovido no país desde o golpe de 2016 e que se intensificou no governo Bolsonaro agravará ainda mais as desigualdades sociais e a situação de negras e negros no país.

As reformas pretendidas por esse governo não apenas irão penalizar trabalhadores de todos os setores, mas aprofundar as desigualdades e injustiças entre homens e mulheres, principalmente o povo negro.

O momento atual exige muita mobilização. Precisamos juntar todas as nossas bandeiras para derrotar esse projeto de governo cujo principal objetivo é a destruição do Brasil e dos brasileiros.

É por tudo isso é que o 13 de maio é mais um dia de resistência e de luta pela igualdade e combate ao racismo.

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